
Estudo de Caso: Orquestração de Onboarding reduziu o lead time em 72% numa instituição financeira
O processo de onboarding de clientes desta instituição financeira envolvia múltiplos sistemas — CRM, KYC/AML, scoring e core bancário — além de várias tarefas manuais com reentrada de dados. Em seis semanas, a equipa redesenhou o fluxo de ponta a ponta com BPMN 2.0, DMN e integrações API-first, alcançando ganhos expressivos em tempo, qualidade e custo.
Contexto inicial
- Onboarding sujeito a validações legais e operacionais (KYC/AML, verificação documental, scoring e abertura de conta).
- Integrações fragmentadas entre CRM, plataformas de verificação e core bancário.
- Tarefas manuais repetitivas (upload de documentos, conferência, introdução dupla de dados).
- Ausência de telemetry unificada e pouca visibilidade sobre gargalos.
Principais desafios
- Gargalos na verificação documental e validação de identidade.
- Erros de reentrada que geravam retrabalho e atrasos.
- Dependências assíncronas com serviços externos (KYC, credit bureaus).
- Exceções mal governadas, tratadas ad hoc por email e planilhas.
Abordagem de transformação
- Modelação do fluxo em BPMN 2.0: desenho do processo end-to-end (solicitação → verificação → decisão → abertura → ativação) com Service Tasks, Message Events e Timer Boundary Events para SLAs.
- Externalização de regras em DMN: decisões de segmentação, risk-based approach, scoring thresholds e exigências documentais por perfil de risco.
- Integrações API-first: contratos claros, idempotency keys, circuit breakers e retry with backoff.
- Case management para exceções: abertura automática de cases CMMN quando há inconclusivos, suspeitas de fraude ou documentação incompleta.
- Telemetria e logs centralizados: correlationId, traceparent, métricas por etapa, event store e dashboards.
Arquitectura de referência (alto nível)
- Orquestrador BPMN (motor de processos) a publicar comandos e a reagir a eventos de serviços internos e externos.
- Motor DMN para decisões (document checklist, scoring policy, STP eligibility).
- API Gateway com rate limiting, authn/authz e observability.
- Event broker para mensagens assíncronas e decoupling entre domínios.
- Case management (CMMN) para exceções, com SLAs e workbaskets por equipa.
Resultados principais
- Lead time -72%, de ~3 dias para < 1 dia.
- STP (Straight Through Processing) subiu de 54% para 91%.
- Reclamações -35% e custos operacionais -18%.
- Telemetria e logs centralizados por passo, com rastreabilidade ponta a ponta.
- Exceções tratadas via case management com SLAs e playbooks definidos.
Como o BPMN acelerou o fluxo
O BPMN tornou explícitos os pontos de decisão, dependências assíncronas e tempos máximos de resposta. Timer Boundary Events disparam escaladas e caminhos alternativos quando serviços externos excedem o SLA. Message Intermediate Events desacoplam chamadas a KYC/AML e scoring, evitando blocking e permitindo parallelization sempre que seguro.
Trechos de processo (pseudo)
- Parallel gateway para correr KYC e scoring em simultâneo.
- Event subprocess para cancelamentos e timeouts globais.
- Escalation events para intervenção humana quando documentos são inconclusivos.
DMN: decisões transparentes e auditáveis
Regras críticas foram extraídas para DMN, garantindo transparência e facilidade de alteração sem mexer no fluxo. Exemplos: matriz de documentos por risco, limiares de scoring por segmento e elegibilidade STP.
Exemplo simplificado de decisão (JSON)
{
"decision": "STPEligibility",
"input": {
"riskTier": "MEDIUM",
"score": 685,
"pepMatch": false,
"docsComplete": true
},
"rules": [
{ "when": {"pepMatch": true}, "then": "REVIEW" },
{ "when": {"docsComplete": false}, "then": "REVIEW" },
{ "when": {"riskTier": "LOW", "score": {">=": 640}}, "then": "STP" },
{ "when": {"riskTier": "MEDIUM", "score": {">=": 680}}, "then": "STP" },
{ "when": {"riskTier": "HIGH"}, "then": "REVIEW" }
],
"result": "STP"
}
API-first: integrações previsíveis e seguras
- Contratos versionados e validados (schema-first).
- Idempotency keys para evitar efeitos duplicados.
- Retry com exponential backoff e jitter para falhas transitórias.
- Circuit breakers e timeout por integração.
Exemplo de pedido a KYC (JSON)
{
"requestId": "REQ-2025-000981",
"correlationId": "ONB-7f3c9c12",
"customer": {
"name": "João Almeida",
"nationalId": "XXXXXXXXX",
"dob": "1988-04-19"
},
"documents": [
{ "type": "ID_CARD_FRONT", "uri": "s3://bucket/id-front.png" },
{ "type": "ID_CARD_BACK", "uri": "s3://bucket/id-back.png" }
],
"idempotencyKey": "idem-4f23b9b1"
}
Telemetria e observabilidade
Foi estabelecido um event store com correlationId e traceparent propagados do canal digital ao core. Métricas de negócio e técnicas foram agregadas em dashboards (lead time por etapa, percentil p95, taxa de STP, taxa de exceções por motivo, reentregas).
Evento de processo (JSON)
{
"event": "KYCCompleted",
"timestamp": "2025-03-12T10:21:44Z",
"correlationId": "ONB-7f3c9c12",
"traceparent": "00-4b7c3e2da2b1d...-01",
"payload": {
"customerId": "C-102344",
"result": "PASS",
"providerLatencyMs": 842
},
"metrics": {
"stageLeadTimeMs": 12980,
"retries": 1
}
}
Gestão de exceções com case management
Quando a decisão DMN retorna REVIEW ou ocorre um timeout crítico, o orquestrador abre um case CMMN com tarefas humanas, sentries e SLAs específicos. Isto evita paralisação do fluxo principal e melhora a previsibilidade.
Abertura automática de case (JSON)
{
"command": "OpenCase",
"correlationId": "ONB-7f3c9c12",
"caseType": "KYC_REVIEW",
"priority": "HIGH",
"slaHours": 8,
"attachments": [
{ "name": "id-front.png", "source": "kycProvider" },
{ "name": "id-back.png", "source": "kycProvider" }
],
"reason": "DOCS_INCONCLUSIVE"
}
Medição antes & depois
| Métrica | Antes | Depois | Variação |
|---|---|---|---|
| Lead time médio | ~3 dias | < 1 dia | -72% |
| STP | 54% | 91% | +37 p.p. |
| Reclamações | Base 100 | 65 | -35% |
| Custos operacionais | Base 100 | 82 | -18% |
Controlo de risco & conformidade
- Risk-based approach refletido em DMN com audit trail.
- Privacy-by-design: minimização de dados e mascaramento em logs.
- Segregation of duties em casos de review manual.
- Retention policies por tipo de evento e documento.
Patamares operacionais (SLA/OLAs)
- KYC assíncrono com Timeout de 15 minutos e retry controlado.
- Scoring com p95 de 2s; alerta a partir de 5s.
- Abertura de conta em < 30s no core; fallback para fila se indisponível.
Boas práticas implementadas
- Decoupling com eventos e comandos assíncronos.
- Idempotência por
idempotencyKeyeoperationId. - Outbox pattern para entrega confiável de mensagens.
- DLQ com playbook de reprocessamento e reconciliação.
- Observabilidade com trace distribuído e métricas de negócio.
Anti-padrões evitados
- Fluxo monolítico com dependências síncronas longas.
- Regras enterradas no código do orquestrador (em vez de DMN).
- Gestão de exceções por email sem SLAs.
- Ausência de correlationId, dificultando auditoria.
Lições aprendidas
- Design first: alinhar negócio, risco e TI em torno de BPMN/DMN acelera a entrega.
- Small batches: entregar em incrementos semanais reduz risco e encurta feedback.
- Telemetria desde o dia 1: o que não se mede não se melhora.
- Case management para o 9% não-STP: foco da operação onde mais importa.
Conclusão
Com orquestração, a instituição passou a medir, melhorar e escalar o onboarding sem depender de robots ou retrabalho manual. BPMN 2.0 tornou o fluxo claro; DMN deu agilidade às decisões; integrações API-first reduziram erro e latência; e o case management disciplinou as exceções. O resultado: -72% de lead time, STP de 91%, -35% de reclamações e -18% de custos operacionais — com telemetria e governança à altura de um ambiente financeiro.
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